
Cena clássica de quando se está andando com o Nagae: ele faz uma pose ridícula e pede pra você tirar uma foto dele. A princípio, eu pensei que era narcisismo, já que ele adora tirar foto dele mesmo, mas depois cheguei à conclusão que é masoquismo, afinal, ele gosta de passar ridículo, registrar e mostrar pra todo mundo depois.
Deixando de lado as bizarrices do nosso amigo aí, inauguro aqui uma série de posts pra falar das coisas legais que me fazem gostar do Japão. São coisas corriqueiras na vida de qualquer japonês, mas que fazem toda a diferença pra quem não está acostumado com elas. Sim, eu roubei o slogan do McDonald’s na cara dura, é uma frase simples e que o povão já tá cansado de ouvir, mas que explica bem o sentido desses posts. Sem mais enrolações, vamos começar com as onipresentes máquinas de suco.
Máquinas de suco/refrigerante não são nada de outro mundo, nenhuma maravilha tecnológica que nenhum paulistano jamais tenha visto. A diferença é que a presença delas em São Paulo é extremamente rara, enquanto no Japão, o raro é percorrer algumas quadras sem passar por pelo menos uma. Essas máquinas de suco estão em todos os lugares imagináveis: nas ruas, dentro de prédios de todos os tipos, em parques, nas estações de trem e metrô… e não apenas em grandes cidades como Tóquio. Andamos em Kakegawa, em uma área exclusivamente residencial, onde haviam apenas casas simples e nada mais, e mesmo assim, lá estava uma máquina de suco por quarteirão.
Pode parecer que não, mas essas máquinas são uma mão na roda, ainda mais se você é um turista perdido vagando sem rumo pela cidade. No Brasil, se você está andando por aí e bateu aquela sede, ou você carrega de casa uma garrafinha de (insira seu líquido preferido aqui), ou você entra em um boteco qualquer e escolhe entre as limitadas opções disponíveis. No Japão, é só sacar umas moedinhas e ir até a máquina mais próxima.
Fora que as opções são muitas : água, sucos de todos os tipos, cafés quentes e gelados, e existem máquinas que vendem cerveja e outras bebidas alcoólicas. Não sei como funciona o acesso a essas últimas, mas enfim, se existem crianças japonesas embriagadas brincando nos playgrounds públicos, o problema não é meu.

Ah, o senso de humor... era só passar por uma máquina com uma lata dessas, que lá ia um de nós dizer "olha, orgia!"... Aliás, isso é um tipo de café, e o nome é GeORGIA. Hah! Engraçado né? Err...
Além da comodidade, tem um lado obscuro da mente humana que sente um prazer em tirar bebidas dessas máquinas. Era inevitável: se eu já não estivesse com uma garrafa de suco na mão, sempre que eu passava por uma máquina dessas, eu comprava outra. Experimentei vários tipos, do tradicional (e recomendado) suco de laranja do rótulo sorridente, passando por chás ruins e amargos, o suco de maçã da lata indestrutível, uma mistura de água de coco e Yakult, até chegar no traumático suco com pedaços de fruta que era um parto tomar na lata, e que o Nagae fez o favor de me dizer que parecia catarro, isso enquanto eu “bebia” a meleca.
A presença dessas máquinas de suco em tudo quanto é canto só é possível em países civilizados, onde não existe o risco de serem depredadas, roubadas, destruídas e vandalizadas. Aliás, a Suntory, famosa por suas bebidas alcoólicas, mas que também produz refrigerantes, chás e sucos, anunciou que suas máquinas são produzidas com um tipo de “medida de emergência”: em tempos de crise, como no caso do terremoto seguido de tsunami que atingiu o Japão recentemente, as máquinas da empresa liberam bebidas de graça, basta retirar a trava. Ou seja, teoricamente, qualquer um poderia chegar a qualquer momento e tirar bebidas de graça das máquinas da Suntory, mas os japoneses fazem isso apenas quando realmente necessário, não simplesmente “por sacanagem”.
Agora, fica a pergunta: o Japão é perfeito por causa das máquinas de suco, ou só existem tantas máquinas de suco no Japão porque o país é perfeito?*
Eu não sei, mas vamos girando esse “círculo vicioso da perfeição” nessa série de posts! Exclamação!
*eu sei, não existe nada perfeito, mas é mais fácil dizer “o Japão é perfeito” do que dizer algo como “o Japão é um país que reúne uma série de características que são do meu agrado em particular”. Agora, para de pegar no meu pé e me deixa ser empolgado, pô!