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Fiquei algum tempo pensando em como fazer esse post. Não vou mentir, tendo passado alguns meses desde que viajamos, as lembranças de cada dia já não são tão claras. Ou talvez seja a idade. De qualquer forma, no primeiro dia inteiro desde nossa volta à Tokyo, decidimos ir para Shibuya.
Descemos na estação… err, Shibuya, e já estávamos bem no meio do caos de letreiros, painéis e lojas pra todos os lados. O clima tava de sacanagem, já que chovia um pouco e depois fazia um calor desgraçado, o que me impedia de definir se o que escorria pela minha cara era suor ou água da chuva. E, pra piorar (ou melhorar, dependendo do ponto de vista), Shibuya é um dos lugares menos adequados pra ficar parecendo um porco na brasa, já que é um dos centros da moda no Japão e, consequentemente, a maior parte de sua população é constituída de mulheres bonitas.
Quando saímos da estação, em meio ao caos de cores e anúncios, avistei uma Tsutaya. Sabe, aquela rede de lojas de CDs e DVDs de música, filme e games que a gente viu em Akihabara. É claro que meu impulso foi entrar na loja, e me perder na seção de música. Como estava distraído, não pude reparar na cara de bunda de meus companheiros de viagem, mas provavelmente eles estavam com a mesma cara que eu fiz quando a gente estava nos lugares de velho. O Marcio ou o Nagae, não lembro direito quem porque, como eu disse, estava distraído, veio me avisar que estavam indo pra não sei aonde, e a gente se encontrava na Tsutaya depois de algumas horas.
Na hora, eu entendi “blá blá blá a gente se encontra daqui a X horas”, devo ter grunhido alguma coisa que entenderam como se eu concordasse, e ótimo, lá estava eu em meio ao paraíso, tentando lembrar quais bandas eu gosto pra comprar tralhas. Acabei comprando uns DVDs e, antes que eu percebesse, lá estavam os três de novo. Botei minhas compras na mochila e saímos, ainda havia toda Shibuya pra explorar.
Então, o Nagae me lembrou de uma coisa que eu instintivamente ignorei durante toda a viagem. Valeu, Nagae. Entramos numa loja de cosméticos (haha!) e tive que comprar as encomendas da Karin. Como o Nagae entende de maquiagem, deixei ele a cargo de procurar os itens da lista. Na hora de pagar, não sei por que raios a mulher não conseguiu passar meu cartão, e tive que pagar em dinheiro. Resultado: fiquei sem nada na carteira. Valeu, Karin.
Depois, sugeri que a gente fosse na Shibuya 109, ou Maru-kyu, como os frequentadores chamam. Sempre ouvi falar desse treco nos programas que assisto, e tive vontade de conhecer, já que estava lá perto. É um dos prédios mais famosos de Shibuya, um tipo de shopping da moda. Eu sabia que era tipo um shopping, só não sabia que SÓ tinha loja de roupa. Nesse momento, me senti extremamente bem e extremamente mal ao mesmo tempo. Bem, porque tirando a gente, só tinha mulher bonita pra todos os lados; e me senti mal porque, bom, eu tava meio que deslocado. Aquele definitivamente não era o tipo de lugar onde um cara como eu se sente em casa.
Em uma mistura de bem-estar e pânico, saímos correndo do Maru-kyu e, a partir daí, minhas lembranças ficam zoadas. Em algum momento, Marcio e Dani sumiram de vista, e ficamos eu e o Nagae andando pra tudo quanto é lado, meio procurando os dois, meio vendo os lugares bonitos, isso durante uns 5 minutos, depois ficamos só vendo os lugares bonitos mesmo.
É claro que existia uma casa de fliperama em Shibuya, e é claro que entramos e jogamos. O Nagae perdeu o guarda-chuva alugado, e ficamos um tempo jogando em uma máquina daquelas de jogar moedas, derrubar moedas, conseguir mais moedas e continuar pegando moedas até suas moedas acabarem e você perceber que gastou dinheiro à toa.
Aí passamos o resto do dia andando pra lá e pra cá, entrando em lojas e curtindo a atmosfera. Não, não deu brisa, mas quase. Quase no final da tarde, fui fazer câmbio, gastando os dólares que a minha irmã me entregou pra comprar as coisas dela. Vimos a estátua do Hachiko e o cruzamento de Shibuya, aquele que parece um formigueiro visto de cima, de tanta gente atravessando a rua ao mesmo tempo.
Mais à noite, fomos todos os 4 pra Akihabara, pra jogar, é lógico. Dessa vez, com mapa, bússola, GPS e Marcio pra guiar a gente, levamos uns 40 minutos no caminho de volta, a pé. Akihabara é legal, mas Shibuya é bem melhor. Isso que eu nem gosto de roupa e coisas de mulher, mas pelo menos a população é mais bonita.




Ficamos um tempo sem postar nada, metade por cansaço, metade por preguiça, mas agora estou aqui, parado no shinkansen, e resolvi adiantar esse post pra falar do terceiro dia em Tokyo. Já faz um tempo, por isso eu esqueci de muita coisa, então o que eu não lembrar exatamente como aconteceu, eu vou inventar. É, assim mesmo, na cara de pau.
Finalmente, o dia que compensou toda a canseira pra tirar documentos e as horas de tédio nos aviões. Akihabara é o paraíso dos nerds, com muitos eletrônicos, animes, mangás e games, mas qualquer turista pode aproveitar o lugar simplesmente pelas bizarrices que se encontra só aqui.